A campanha política foi deflagrada na Assembleia Legislativa, hoje (13), Dia da Abolição da Escravatura. De um lado, apenas o deputado Sabá Reis (PR) a defender as obras do ex-ministro Alfredo Nascimento. De outro, o rolo compressor do governo do Estado, à frente os deputados Davi Almeida, Nelson Azedo, Marcos Rotta e Sinésio Campos. Em pauta, a conservação das rodovias interestaduais e intermunicipais e a construção de portos no interior.
Sabá Reis enveredou pela falta de gaze nos prontos socorros de Manaus, e acabou rindo muito, chegando às gargalhadas, quando o líder do governo, Sinésio Campos, disse que ele e a ex-ministra Dilma Roussef correram o risco de morrerem afogados quando o porto de Humaitá foi à pique.
Guardados os exageros, essa pequena amostra do que vai acontecer no plenário da Assembleia Legislativa, a partir de agora, deve pautar a direção dos discursos dos deputados. Até que as coligações definitivas sejam montadas e oficializadas no Tribunal Regional Eleitoral (TRE), os ânimos poderão ficar exaltados dependendo da tensão do plenário e da “cutucada” na costela. O deputado Sabá Reis, por exemplo, por enquanto está conseguindo escapar do rolo compressor que apóia o governo, metendo o dedo em feridas que sangram ainda, apesar dos esforços do governo de tentar estancar a hemorragia. Por exemplo, quando ele criticou o governo pela falta de leitos nos prontos socorros e pela falta de gaze nos hospitais, acabou ferindo suscetibilidades que redundaram no pedido de convocação do secretário de saúde, Aguinaldo Costa, para explicar aos deputados o que está acontecendo.
Segundo Reis, não é necessário a ida do secretário à ALE, bastando que os deputados se reúnam e percorram os prontos socorros. Para Nelson Azedo é fundamental, sim, que Aguinaldo Costa vá até a ALE, porque o governo do Estado tem compromisso com a sociedade e não vai permitir que fatos dessa natureza aconteçam.
Diferente de alguns dos seus antecessores, Omar Aziz não é de esconder a sujeira para baixo do tapete. Ele a escancara, mostra os erros e procura soluções. E, dificilmente, depois de saber desses fatos, ele não vai conversar com Aguinaldo para saber da situação e procurar uma solução rápida para o problema. Nem que isso cause um pouco de dor.
A aprovação dos planos de carreiras, cargos e salários dos servidores do Estado é um amostra disso. Omar, ciente das dificuldades para a aprovação dos PCSS sem beneficiar diretamente os servidores, todos eles, inclusive os aposentados, se reuniu com a bancada do governo e seus assessores e recosturou os projetos. Resultado: os servidores ficaram felizes e satisfeitos e o governo, por sua vez, livrou-se de críticas.
Governar um estado das dimensões do Amazonas com pouco dinheiro e com um orçamento apertado, uma vez que está quase tudo empenhado para as grandes obras para a Copa do Mundo em 2014, não é tarefa fácil. O importante é que a sociedade receba os benefícios de tantos investimentos e que não se negue, nunca, a origem de todas essas propostas. O que não pode mais acontecer é a sociedade ser enganada por promessas mirabolantes e por propostas assumidas e não resolvidas. Isso me recorda o ex-prefeito Serafim Corrêa na sua campanha para o governo do Estado: “prometer e não cumprir é pior do que mentir”.
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